Mais de 1,5 milhão de famílias moradoras do campo têm hoje acesso fácil à leitura graças ao Arca das Letras, programa de bibliotecas rurais do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) que encerra 2011 com o saldo de mais de 8 milhões de pessoas atendidas, 8,8 mil bibliotecas implantadas em mais de 3,2 mil municípios, e 17,5 mil agentes de leitura capacitados e atuando.
Coordenado pela Secretaria de Reordenamento Agrário (SRA) do MDA, o Arca das Letras surgiu a partir de cinco projetos-piloto implantados entre maio e julho de 2003, nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Sul. Hoje, o Arca das Letras instala, em média, três bibliotecas por dia em áreas rurais do país, e somente este ano mais de 800 novas bibliotecas passaram a fazer parte do programa.
Crianças, jovens, adultos, estudantes, trabalhadores e trabalhadoras, moradores das comunidades, são assistidos pelo programa, que tem como objetivo incentivar a leitura no meio rural em localidades como assentamentos da reforma agrária, associações de crédito fundiário, colônias de pescadores, comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas e de agricultura familiar. A ação está presente em todos os 120 Territórios da Cidadania.
A maior parte dos leitores são crianças e jovens que chegam a representar mais de 70% dos freqüentadores das bibliotecas. O atendimento do programa é prioritário nas comunidades em situação de pobreza, em sua maioria concentradas nas regiões Norte e Nordeste do país.
Incentivo à leitura
“A chegada da Arca em 2008 foi muito importante para a comunidade. Com a força do nome do programa conseguimos visibilidade e ampliamos nossas parcerias. Hoje nós temos um espaço que, além de leitura, incentiva atividades culturais e proporciona o acesso a diversos cursos em nossa comunidade. Viabilizar o desenvolvimento e a descoberta de talentos é muito importante”, observa a professora e agente de leitura Simone Regina Del Belo Rodrigues, 39 anos, que desde 2005 trabalha com projetos de leitura em Santa Rita do Oeste (SP).
Simone cita o agricultor Santim Barbato, que ajuda o projeto desde o início. “Eu o chamo de Poeta da Terra. Ele sempre está presente em nossas atividades, escreve coisas maravilhosas e já teve seu trabalho publicado em uma coletânea desenvolvida pela Prefeitura”, conta.
A também professora Maria Regina Quinalia Vicente, 39 anos, trabalha com crianças da pré-escola e utiliza os livros disponíveis na biblioteca para incentivar a leitura entre seus alunos. “Todos são pequenos ainda e não sabem ler, quando contamos as histórias eles ficam encantados. Sempre que possível realizamos visitas para que tenham contato desde cedo com os livros”, relata. Para o próximo ano, o objetivo da biblioteca é ter seu acervo ampliado com a cooperação do Programa Pontos de Leitura do Ministério da Cultura (MINC).
Funcionamento da Arca
Antes do funcionamento das bibliotecas, a comunidade define em reuniões de consulta comunitária como será o seu acervo, sua função social, educacional e cultural e se organiza para receber a biblioteca. A organização das bibliotecas segue o manual proposto pelo programa que padroniza a disposição do acervo e as regras para empréstimo de material.
Segundo a Coordenadora de Ação Cultural da Secretaria de Reordenamento Agrário (SRA/MDA), Cleide Soares, cada arca entregue às comunidades começa com aproximadamente 200 livros e coleções de gibis. Em muitos casos a coleção é ampliada.
“Por ano são investidos 350 mil reais que são utilizados para compra de material de consumo técnico, na divulgação comunitária das bibliotecas e também para a realização de encontros com agentes de leitura para a troca de experiências”, informa.
Os livros são obtidos por meio de doações feitas pela população, pelas editoras e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação do Ministério da Educação (FNDE/MEC). Cabe aos moradores a responsabilidade de cuidar, administrar e ampliar os acervos, enquanto os Agentes de Leitura têm o compromisso de controlar os empréstimos dos livros e organizar atividades de valorização da biblioteca e da leitura.
O programa Arca das Letras deu tão certo que seu modelo foi importado por Cuba, Timor Leste e Moçambique, onde as bibliotecas também foram implantadas em comunidades rurais. O Arca das Letras também compartilhou a metodologia de bibliotecas rurais com o governo da Colômbia.
Campanhas realizadas em escolas, bibliotecas, shoppings, postos de combustíveis, agências bancárias do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste, feiras do livro e feiras da agricultura familiar contribuem para o fortalecimento da iniciativa.
Para o próximo ano, a meta do programa é alcançar todas as famílias em situação de pobreza extrema no país. “A pretensão para 2012 é levar a biblioteca e formar agentes dentro dessas famílias. O estudo já foi feito e queremos promover encontros entre os agentes de leitura para a troca de experiências” informou Cleide.
A solicitação para fazer parte do programa pode ser feita pela internet no portal do MDA (www.mda.gov.br).
Agentes de leitura
Os agentes de leitura são pessoas que se candidatam voluntariamente para trabalhar com a Arca na sua comunidade. Depois de escolhidos pela sua comunidade, recebem a formação técnica pela equipe da Coordenação-Geral de Ação Cultural do MDA.
Os agentes dedicam parte do seu tempo livre para cuidar das bibliotecas que podem ser instaladas nas suas residências ou em outros locais. Os agentes de leitura formam outros agentes na comunidade, ensinando suas atribuições à família e aos amigos, tornando, assim, a gestão da biblioteca um ato coletivo.
No município Esperança no estado da Paraíba, desde 2006, Pedro Pereira dos Santos, 25 anos, atua como agente de leitura. O espaço já conta com mais de 1,9 mil livros em seu acervo. “A comunidade teve um crescimento muito grande em conhecimento e o programa atende hoje mais de mil pessoas entre crianças, jovens e adultos.” afirma o agente. Além de transformar a comunidade, o programa mudou a vida de Pedro, que trabalha como agricultor e estuda Pedagogia. “Um dos papéis do agente de leitura é conhecer todo o acervo. Eu descobri coisas sensacionais dentro da literatura brasileira depois que passei a integrar o programa. Ler sobre pedagogia e educação foi essencial para a escolha de minha carreira”, revela. Através do trabalho na comunidade, Pedro foi eleito Presidente da Associação para Desenvolvimento Social e Comunitário de Massabielle (ADSCM) e formou até hoje 35 agentes de leitura.
Serviço
Para saber mais acesse a comunidade do Arca das Letras no Portal da Cidadania www.territoriosdacidadania.gov.br/principal ou entre em contato através do telefone
Para realizar sua doação e beneficiar diretamente milhares de famílias do campo, escreva para arcadasletras@mda.gov.br e aguarde contato.
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Arca das Letras em números |
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Quantidade de bibliotecas |
8784 |
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Municípios atendidos |
3215 |
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Quantidade livros recebidos por cada biblioteca |
200 a 280 |
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Quantidade livros em todas as bibliotecas do Programa |
2,5 milhões |
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Famílias beneficiadas |
1,5 milhão |
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Pessoas beneficiadas |
Aproximadamente 8 milhões |
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Agentes de leitura formados |
17,5 mil |
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Investimento Anual no Programa |
350 mil reais |
Fonte:
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