Brasília – O Conselho Nacional de Saúde criticou o Ministério da Saúde sobre a veiculação da campanha de prevenção à aids no carnaval. A polêmica teve início após o ministério retirar de sua página na internet vídeo com um casal gay trocando carícias em uma boate, quando uma fada aparece trazendo o preservativo. O filme foi apresentado no lançamento da campanha de prevenção no dia 2 deste mês, no Rio de Janeiro.
O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, participou hoje (15) de reunião do conselho sobre o assunto. Segundo o conselheiro José Marcos de Oliveira, os esclarecimentos do ministério não foram suficientes. De acordo com Oliveira, o conselho recomendou que o governo federal explique ao público o motivo da mudança.
“Não é só em boates gays e guetos que estão os jovens gays, mas em toda a sociedade. O conselho não se sente em sua totalidade respondido [com as explicações]”, disse Oliveira, representante do Movimento Nacional de Luta Contra a Aids no conselho.
De acordo com o ministério, o filmete será veiculado somente em locais frequentados por jovens gays, público-alvo da campanha, e não em TV aberta, por isso foi removido da página. Ontem (14) entrou no ar o vídeo para a rede de televisão em que dois jovens – um homem e uma mulher – apresentam dados da incidência da doença.
As organizações ligadas ao movimento gay e de combate à aids criticaram a pasta por não transmitir o filme com o casal gay na TV aberta.
Para o conselho de saúde, Barbosa disse que a controvérsia surgiu por causa de uma falha de comunicação do ministério e que a estratégia sempre foi veicular material diferenciado para cada público, o gay e a população em geral, destacando que “o conteúdo precisa ser adaptado ao meio”.
O conselho recomendou que a pasta apresente os gastos com a produção dos vídeos diferenciados. O conselho quer ainda que o ministério discuta previamente o tema das futuras campanhas com o colegiado e a sociedade civil.
Dados do ministério mostram que o número de casos de aids entre gays de 15 a 24 anos cresceu 10%. Em 2010, para cada 16 homossexuais com a doença, existiam dez heterossexuais. Em 1998, a relação era 12 para dez respectivamente.
Fonte: Carolina Pimentel - Agência Brasil
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