São Paulo – Dois anos após sofrer uma inundação que devastou boa parte de seu centro histórico, São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo, está com 80% de toda área atingida reconstruída, de acordo com a prefeita da cidade, Ana Lucia Bilard Sicherle. “Hoje o município tem toda área de risco detectada, monitorada. Agora é fazer com que São Luiz cresça ordenadamente, este é um grande desafio”, diz.

Nos primeiros dias de 2010, uma enchente causada pela elevação das águas do Rio Paraitinga danificou cerca de 300 construções da cidade, desalojando e desabrigando cerca de 9 mil moradores – a população da cidade, segundo o último censo, é 10,4 mil pessoas. Boa parte do casario histórico, a Igreja Matriz de São Luís de Tolosa, a Capela das Mercês e o prédio da biblioteca foram destruídos.
“O desafio agora é de terminar a obra, principalmente a de contenção de cheias, que é um pouco mais demorada, já que envolve outras cidades. É uma discussão maior, e é um grande desafio. O sonho de todo luizense é que nessa cidade não entre mais água”, disse a prefeita.
A cidade era a única do estado a ter preservado um conjunto arquitetônico de construções do século 19 em bom estado e em grande número. As edificações eram fundamentais para a economia da cidade, que girava em torno do turismo, e para a realização das manifestações culturais locais, como os festejos do Divino Espírito Santo, o carnaval, as festas da Semana Santa e o Corpus Christi.
As edificações de São Luiz eram um raro registro histórico da primeira área de expansão da cafeicultura brasileira no século 19, no Vale do Paraíba. O período não é, geralmente, foco de políticas públicas de preservação de patrimônio, como ocorrem em cidades com construções do período colonial vinculadas à mineração mineira ou à economia açucareira nordestina.
De acordo com a diretora de Obras da prefeitura, Natalia Moradei, estão sendo executadas, no momento, a reconstrução da Igreja Matriz (com previsão de término para 2013), da Biblioteca Municipal, e a restauração da sede da prefeitura, parcialmente destruída. Do patrimônio histórico afetado pelas águas, já foram entregues a Capela de Nossa Senhora das Mercês, reinaugurada em setembro em 2011, e alguns imóveis particulares.
“As pessoas mais idosas, que moravam nas casas históricas, foram afastadas de suas moradias, o que causou uma certa angústia, elas sofreram naquele momento. Agora, os que já estão tendo a recuperação do imóvel, com o restauro iniciado, estão muito felizes e estão participando desse processo”, declarou.
Irene Moura, de 76 anos de idade, que perdeu a casa e a loja de artesanato na enchente, disse que só nos últimos meses está conseguindo voltar à vida normal. “Quando acordamos estava caindo o grupo [escola], e a igreja. Tudo escuro, e tudo coberto de água. Perdi tudo, tudo”. Na noite de alagamento, Irene dormia na casa de um filho em área elevada da cidade. “Com muito custo voltamos para cá, arrumamos a casa. Mas agora tenho medo de trovão, tenho medo de acontecer de novo”, completou.
Fonte: Bruno Bocchini - Bruno Bocchini
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