Noticianahora.com.br

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Luciano Pires

LUCIANO PIRES
mkt@lucianopires.com.br
www.lucianopires.com.br

 

O estupro e a Luiza que voltou do Canadá

27/01/2012 - [12h:29m] - Notas e Agenda      Diminuir Aumentar

 

Primeiro o estupro: depois de uma festa no programa Big Brother Brasil um casal foi para o quarto e o rapaz teria praticado sexo com a moça enquanto ela dormia embriagada, configurando um estupro. A polícia foi envolvida, o rapaz e a moça disseram que nada aconteceu, mas mesmo assim a direção do programa expulsou o rapaz.
 
Depois a Luiza: um comercial de um prédio de apartamentos na Paraíba mostra o que seria uma família de novos ricos falando do imóvel. Lá pelas tantas o pai diz “por isso reuni minha família, menos a Luiza que está no Canadá”. A frase explodiu nas mídias sociais, transformando Luiza numa celebridade. Veja o comercial: [LINK=http://youtu.be/BVxcWbh9HWE]http://youtu.be/BVxcWbh9HWE[/LINK].
 
Que relevância esses temas tem? Nenhuma. Que impacto eles causarão em sua vida? Nenhum. Que impacto eles causarão na sociedade? Nenhum. Mas então qual a razão de tanto tempo dedicado à discussão dessas irrelevâncias?
 
Existe uma coisa chamada “adaptação sensorial” que pode nos dar uma pista. O cérebro desliga nossos sentidos dos estímulos que não mudam de intensidade ou qualidade, guardando energia para focar nas novidades. Por exemplo, morei próximo do aeroporto de Congonhas e as visitas que eu recebia ficavam horrorizadas com o barulho dos aviões, que eu mal ouvia. Eu havia sofrido uma adaptação sensorial.
 
Os profissionais da comunicação sabem disso e tiram proveito. Essa é a base de um programa como o Big Brother Brasil, que só faz sentido se o grupo que está reunido sair do normal. Daí as festas, as privações, as provas, os corpos à mostra e a bebida, tudo para colocar as pessoas em situações constrangedoras, anormais. Nesse contexto o estupro, assim como uma agressão física, é o cúmulo da anormalidade. Daí a discussão, que neste caso foi turbinada pela antipatia que muita gente tem pela Rede Globo.
 
No caso da Luiza, a maioria dos que usam o Twitter e o Facebook são “Luizas”, jovens que tem em suas vidas a perspectiva de ir (ou que já foram) estudar no exterior. Ou então são pais que já mandaram seus filhos para o exterior ou gostariam de fazê-lo. Mandar o filho estudar no exterior é uma demonstração de ascensão social, dá uma satisfaçãozinha... Mas para a maioria das pessoas, explicitar essa satisfação é esnobar, ostentar, dá vergonha. Exatamente a vergonha alheia que o pai da Luiza provocou com aquela frase. Sentimos vergonha dele porque ele expressou o que nós escondemos. Ele quebrou uma norma, sacou? E acordou nossos sentidos.
 
Quebras da normalidade que despertam nossos sentidos, é isso que acontece. Algum problema? A princípio nenhum. O absurdo é o tempo e a  energia que dedicamos a essas futilidades e, especialmente, a forma como entramos na onda e damos aquilo que os criadores dos fatos querem: audiência.
 
Qual o remédio? Simples: saiba do que se trata, mas não dê importância aos detalhes.
 
Se você for capaz.
 

Fonte: Luciano Pires

Imprimir Página

Enviar comentário

Comentários Facebook

Mais Notícias

 

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

 
  • Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

    Get Adobe Flash player

Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.

Este site não se responsabiliza pelo conteúdo de terceiros citados aqui. A opinião dos colaboradores e dos leitores não necessariamente representa a opinião do Notícia na Hora. Os direitos de veiculação de artigos aqui publicados pertencem aos seus respectivos autores e nossos colaboradores.
A divulgação é permitida desde que citados os créditos.